quarta-feira, 3 de agosto de 2011

De suspirar em vão já fatigado



V
De suspirar em vão já fatigado,
Dando tréguas a meus males, eu dormia.
Eis que junto de mim sonhei que via
Da morte o gesto lívido e mirrado. 

Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
¨Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado... 

¨Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada.
Que armada de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada: 

¨Emprega noutro objeto os teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores¨. 

(Bocage)

-NO PALCO-

Um comentário:

Malu disse...

E quantos vãos suspiros nos assaltam ao longo de toda nossa VIDA e assim, pelos suspiros vãos vamos vivendo sem ao menos suspirar.
Bela postagem...
Um abraço