domingo, 2 de janeiro de 2011


Canto dos emigrantes

Com seus pássaros ou a lembrança de seus pássaros, com seus filhos ou a lembrança de seus filhos, com seu povo ou a lembrança de seu povo, todos emigram. De uma quadra a outra do tempo, de uma praia a outra do Atlântico, de uma serra a outra das cordilheiras, todos emigram. Para o corpo de Berenice ou o coração de Wall Street, para o último templo ou a primeira dose de tóxico, para dentro de si ou para todos, para sempre todos emigram.





Estamos todos cercados;

e o silêncio do sonho

é nossa arma sagrada:

as pistolas e as línguas de aço

dos inimigos brilham ao sol,

e eles gritam tanto

sobre as velhas colinas,

atrás das cegas estantes,

que sabemos de tudo;

e colados ficamos,

amamos e permanecemos.


Alberto da Cunha Melo* *poeta pernambucano

-NO PALCO-

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